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Candidato a prefeito de Curitiba disse que vomitou ao sentir cheiro de pobre

domingo, 25 de setembro de 2016






                                          O CHEIRO DE POBRES E O SINAL DOS TEMPOS (Tereza Cruvinel)




Quando disse que quase vomitou com o cheiro de um pobre que tentou ajudar colocando-o em seu carro, o candidato a prefeito de Curitiba pelo PMN, Rafael Greca, apenas disse em voz alta o que muitos sentem, mas não dizem neste Brasil esquisito que está surgindo.

- Eu nunca cuidei dos pobres. Eu não sou São Francisco de Assis. Até porque a primeira vez que eu tentei carregar um pobre no meu carro eu vomitei por causa do cheiro – disse Greca num debate. Depois, alegou que a frase foi descontextualizada.

De fato, como disse em artigo sobre esta confissão insólita o jornalista José Carlos de Assis, nunca pensamos que Justo Veríssimo, o personagem politicamente incorreto de Chico Anísio, iria nos aparecer um dia na pelo de um candidato real. “Detesto pobre. Pobre tem que morrer”, dizia Justo Veríssimo lá pelos anos 80. Ele era a síntese do politicamente incorreto porque o Brasil era outro. Havia saído da ditadura e tentava ser um país melhor. Uma nova Constituição lançara as bases de um Estado de bem-estar social. Longe de fortalecer preconceitos, pelo contrário, os absurdos ditos por Justo Veríssimo fortaleciam a rejeição ao elitismo e estimulavam o sentimento construtivo da fraternidade.

Uma parte dos brasileiros começou a externar sua ojeriza aos pobres justamente quando um presidente, agora também perseguido, implantou as mais aguerridas políticas de combate à pobreza que o pais já teve. E aí começaram as lamúrias da classe média conservadora contra os pobres. Ganhavam Bolsa Família e não queriam mais trabalhar. Ascendiam socialmente e entupiam os aeroportos, entrando esmolambados e de chinelas nos aviões, sentando-se na poltrona errada. Com o Pro-Uni, deram para ingressar em faculdades privadas. Com as cotas, os pobres e negros, pois uma coisa anda junto com a outra, passaram a disputar com favorecimento vagas nos concursos e nos vestibulares. Deram para frequentar os shoppings, e com esta invasão de produtos chineses, para desfilar com falsas bolsas da Chanel e da Louis Vuitton. Com a isenção do IPI, compraram seus carrinhos e contribuíram para infernizar o trânsito. Ah, estes pobres metidos a besta. E estas domésticos, exigindo jornada de oito horas e FGTS  regulamentados pela Dilma...  

O que Greca verbalizou foi este sentimento coletivo difuso contra os pobres, que deixou de ser politicamente incorreto.

Agora, tudo está voltando ao normal, devem dizer aliviados para seus próprios botões. O desemprego colocou muitos pobres em seu devido lugar. A recessão levou de volta para as casas das famílias muitas domésticas que haviam conseguido emprego no comércio, na indústria e na construção civil. Estes programas sociais, mais dia, menos da, vão ser restringidos na era da austeridade fiscal.

O que Greca disse – que preferiu transferir para a Igreja Católica a gestão de um abrigo social – está sendo dito com eufemismos pelos novos donos do poder político: O Estado tem que ser mínimo e deixar que estes problemas sejam resolvidos pelo mercado. No máximo, pelas Igrejas, as Ongs e outras organizações que gostam de pobres e não vomitam ao sentir o cheiro deles.

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Fascistas dizem que vão acabar com a raça dos petistas

sábado, 24 de setembro de 2016



Barbárie jurídica, golpe eleitoral e desobediência civil

Os fascistas da Lava Jato promoveram um golpe eleitoral: querem prejudicar as candidaturas do PT como parte do plano de 'acabar com a raça dos petistas'.



O Estado de Direito no Brasil foi abastardado. Seria suicida desconhecer que o país está sob a égide de um regime autoritário, de exceção. Não é necessário haver o exercício de poder pelas forças armadas para caracterizar a excepcionalidade e o autoritarismo de um regime.

As instituições do Estado – Ministério Público e Polícia Federal – e um Poder de Estado –o Judiciário – foram manipuladas e capturadas por militantes partidários.

Investidos em cargos públicos, funcionários fardados e togados aparelham e direcionam fascistamente as instituições de Estado para o extermínio de adversários políticos – o PT, Lula e lideranças petistas.

O justiceiro Sérgio Moro exerce um poder tirânico. Ele é a Lei; é a ordem. Ele é o policial, o investigador, o acusador e, finalmente, é o julgador daqueles que ele próprio investiga, acusa, julga e condena. Ele é, enfim, a encarnação de um poder total, orwelliano e irrecorrível.

O sistema jurídico, a Rede Globo e grupos de mídia outorgaram perigosamente a Moro tal poder. O STF é mais que conivente com esta aberração totalitária. No atual estágio do golpe, já não resta uma única dúvida: a Suprema Corte está no vértice do regime de exceção – o papel de Pôncio Pilatos na farsa do
impeachment da Presidente Dilma é clara evidência disso.

Conquistas civilizatórias e seculares da humanidade, como o devido processo legal, o ônus da prova para a acusação, o direito de defesa, a presunção da inocência e o princípio milenar
in dubio pro reo [na dúvida, a favor do réu] foram sepultadas na masmorra de Curitiba com a absoluta condescendência do Poder Judiciário e com aplausos entusiásticos da mídia.

A prisão do ex-ministro Guido Mantega foi, sim, uma desumanidade, porque feita num hospital e no momento em que ele acompanhava a cirurgia da esposa gravemente enferma.

Mais além da desumanidade, que é um valor moral – e estes crápulas são imorais, e não se poderia esperar deles humanidade – a prisão do Mantega é a expressão duma grotesca barbárie jurídica; é a fotografia do regime de exceção vigente no Brasil.

Não havia nenhuma razão para prender Mantega. Para mandar prendê-lo, Moro espezinhou todos os princípios iluministas que norteiam uma sociedade civilizada e democrática: não houve intimação prévia, audiência judicial, acusação formal e exercício de defesa – apenas o mandato de prisão expedido pelo Ministério Público e aceito pelo tirano.

A revogação da prisão, determinada 5 horas depois pelo próprio tirano, é prova eloqüente de que Mantega jamais poderia ter sido preso, porque sua liberdade não oferecia risco de qualquer espécie e, menos ainda, ameaça à continuidade da investigação.
 


A violência do Moro contra Mantega segue o padrão de abusos perpetrados contra Lula em 4 de março [seqüestro para prendê-lo], em 16 de março [interceptação e divulgação ilegal de conversas telefônicas dele com a Presidente Dilma] e em 20 de setembro [acolhimento da denúncia dos procuradores contra ele, “vazia de provas e cheia de convicções”].

Por que Moro, o MP, a PF e o Judiciário perseguem obsessivamente Lula, o PT e petistas e não prendem imediatamente Eduardo Cunha e esposa, Jucá, Temer, Aécio, Sarney, Serra – todos multi-citados pelos delatores e denunciados por participarem na corrupção da Petrobrás, inclusive com valores e contas bancárias identificadas na Suíça e em outros paraísos fiscais?

Por que faltou convicção à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Judiciário diante da prova irrefutável do helicóptero carregado com 450 quilos de cocaína de propriedade de um senador amigo de Aécio Neves? Por que Moro devolveu o passaporte da esposa de Eduardo Cunha, notoriamente beneficiária de contas no exterior abastecidas com recursos roubados?

A resposta é simples. É porque o objetivo da Lava Jato não é combater a corrupção e o crime, mas sim aniquilar o PT e impedir Lula de ser o candidato vitorioso na eleição presidencial de 2018. O discurso do combate à corrupção é mero pretexto da oligarquia golpista para derrubar governos progressistas.

A Lava Jato foi planejada com inteligência estratégica para destruir Lula e o PT. Os ataques nas últimas semanas a Lula, e a Mantega neste dia 22 de setembro, fazem parte de um plano semiótico, pré-concebido, muito bem elaborado, e com alta significação simbólica, que visa danificar em definitivo a imagem do PT a 12 dias da eleição municipal.

Moro e seus comparsas fascistas da Lava Jato promoveram um novo golpe, desta vez um golpe eleitoral contra o PT. Querem prejudicar o desempenho das candidaturas do PT, como parte do seu plano maquiavélico de “acabar com a raça dos petistas”. Está certíssimo Lula quando diz que a fase da Lava Jato de hoje deveria se chamar #bocadeurna.

A cada investida fascista, será amplificada a resistência democrática. O povo não silenciará e não se intimidará ante a violência fascista. Estes canalhas que atentam contra a democracia, contra o Estado de Direito e contra a Constituição, estão conscientemente assumindo que não encontrarão o silêncio e a subserviência, mas sim a desobediência civil.

A direita fascista está armando a insurgência democrática e popular que não só vai resistir, mas que vai derrotá-la, mais cedo que tarde. Os canalhas não terão trégua. A cada nova violência, um salto mais elevado de consciência democrática.

Diante do atentado à democracia e ao Estado de Direito; diante de qualquer tirania, toda forma de luta é legítima: da insubordinação para a garantia da democracia e para a defesa da justiça.
Carta Maior


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Professores, Juristas e Intelectuais condenam o arbítrio da Lava Jato de Sergio Moro


"A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la", diz o texto assinado por nomes como Luiz Gonzaga Belluzo, Maria da Conceição Tavares, Marilena Chauí, Luiz Carlos Bresser Pereira, Eleonora Menicucci, Ladislaw Dowbor e dezenas de intelectuais; "Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas", afirmam; "Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro?"


Dezenas de intelectuais divulgaram uma nota pública, em que condenam os abusos e o arbítrio da Operação Lava Jato, cujo exemplo mais flagrante foi a prisão do ex-ministro Guido Mantega, e pediram que o juiz Sergio Moro seja contido. Leia abaixo.

Nota pública em defesa da ordem constitucional, em desagravo a Guido Mantega
A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la.

O direito ao protesto coletivo vem sendo coibido por intervenções provocativas, abusivas e desproporcionais por parte da Polícia Militar, como se a velha polícia política das ditaduras estivesse de novo às soltas.

Ano a ano, cidadãos brasileiros invisíveis são conduzidos coercitivamente a depoimentos – ou algo pior - sem serem intimados pela justiça.

Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas.

O caráter republicano e isento da Operação Lava-Jato já foi posto à prova, e reprovado, inúmeras vezes.

Há seis meses, o evento da condução coercitiva do cidadão Luís Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer foi intimado, parecia marcar o auge na exposição pública da arbitrariedade dos que o perseguiam, levando a uma reação firme, e republicana, de uma sociedade que já escolheu em que regime de garantias civis e políticas quer viver.

O episódio da prisão do professor e economista Guido Mantega levou o arbítrio a novos limites. A fragilidade da acusação e a desproporção da ação tornaram-se ainda mais evidentes por causa de sua coincidência com a presença do acusado em um centro cirúrgico, acompanhando a esposa enferma.

O professor e economista Guido Mantega deu mostras de dedicar-se à coisa pública de modo republicano. É um homem público de endereço conhecido e não representa qualquer ameaça à ordem pública. O mesmo não pode ser dito de seus perseguidores.

Se fosse necessário prender Guido Mantega para recolher possíveis provas, por que foi possível soltá-lo tão rapidamente depois que a sociedade conheceu o absurdo de sua prisão, sob alegação de que as diligências para coleta de documentos não seriam prejudicadas se fosse solto? Se não seriam, por que foi expedida a ordem original de prisão desde logo?

Como todo brasileiro, Guido Mantega merece o respeito de suas garantias constitucionais.

O combate à corrupção não pode ser um pretexto para corromper a Constituição, autorizar a perseguição política e inflar vaidades de juízes, procuradores e policiais.

Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro? É a pergunta que fazem os cidadãos que, abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra mais um golpe às instituições democráticas.
 
Luiz Gonzaga Belluzzo – Professor Titular de Economia - UNICAMP
Marilena Chauí - Professora Titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP
Maria da Conceição Tavares - Professora emérita da UFRJ e da Unicamp.
Luís Carlos Bresser-Pereira - Professor Titular de Economia - FGV
Tereza Campello – Economista e Ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome da presidenta Dilma Rousseff
Eleonora Menicucci Oliveira - Profa Titular de Sociologia da Unifesp e ex-Ministra de Politicas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff
Pedro Paulo Zahluth Bastos - Professor Associado (Livre Docente) – Economia - UNICAMP
Theotonio dos Santos - Professor Visitante da UERJ e Professor Emérito da UFF
Ladislau Dowbor – Professor Titular de Economia - PUC-SP
Eleuterio F. S. Prado - Professor Titular de Economia da USP
Walquiria Domingues Leão Rêgo - Socióloga e professora titular da Unicamp
Gilberto Maringoni - Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Hermano de Medeiros Ferreira Tavares - Professor Titular (aposentado) - Faculdade de Engenharia Elétrica – e ex-reitor da Unicamp
Nelson Rodrigues dos Santos – Professor Titular – Faculdade de Ciências Médicas - UNICAMP
Luiz Carlos de Freitas - professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Marcio Pochmann – Professor IE/Unicamp
Itala M. Loffredo D'Ottaviano - Professor Titular em Lógica, UNICAMP
João Quartim de Moraes – Professor Titular de Filosofia – UNICAMP
Joaquim Palhares - Carta Maior
Lena Lavinas – Professora Titular de Economia (UFRJ)
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Professora Titular da UNB
Antonio Prado – Secretário Executivo Adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)
Magda Barros Biavaschi – advogada, ex-Desembargadora ap. TRT4.
Antonio Correa de Lacerda – Economista – Professor PUC-SP
Matías Vernengo - Professor of Economics, Bucknell U. - Co-editor, Review of Keynesian Economics
Rosa Maria Marques, professora titular do Departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUCSP e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde
Sebastião Velasco e Cruz - Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp
Wladimir Pomar – Jornalista e escritor
Armando Boito Jr. – Professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp
Laurindo Lalo Leal Filho - Professor da ECA/USP
Maria Rita Loureiro - Professora titular da FEA/USP e FGV/SP
Alfredo Saad Filho – SOAS, University of London
Maryse Fahri – Professora IE/Unicamp
Giorgio Romano Schutte - Professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC)
Gastão Wagner de Sousa Campos - Professor Livre-Docente, Departamento de Medicina Preventiva e Social, Universidade Estadual de Campinas
Frederico Mazzucchelli – Professor IE/Unicamp
Nelson Marconi – Economista – FGV
Carlos Aguiar de Medeiros – Professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Clemente Ganz Lucio – Economista
Ricardo Musse - Departamento de sociologia da USP
Valter Pomar - Professor da UFABC
Carlos Berriel – Professor do IEL/Unicamp
Fernando Nogueira da Costa – Professor IE – Unicamp
Vanessa Petrelli Corrêa - Professora Titular IE - UFU
Hugo Gama Cerqueira - Professor do Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais
Rubem Murilo Leão Rêgo - Sociólogo e professor da Unicamp
Wolfgang Leo Maar - Professor titular da UFSCar
Tatiana Berringer - Professora Adjunta da Universidade Federal do ABC
Márcia Mendonça - Instituto de Estudos da Linguagem - IEL – Unicamp
Adriano Codato – Cientista Político – Professor UFPR
Cristina Fróes de Borja Reis - Professora adjunta da Universidade Federal do ABC
Daniela Magalhães Prates – Professora do IE/Unicamp
Hildete Pereira de Melo - Professora associada da UFF
Claudio Salm – Professor de Economia _ UFRJ
Marcelo Milan - Professor de Economia e Relações Internacionais, UFRGS
Rubens Sawaya - Economista, professor da PUCSP.
Anna Christina Bentes - Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem -UNICAMP
Humberto Miranda - Professor do IE e Pesquisador do CEDE/UNICAMP
Reginaldo Moraes – Professor de Ciência Política - Unicamp
Eduardo Fagnani – Professor IE/Unicamp
Alcides Goularti Filho - UNESC/CNPq
Daniela S. Gorayeb – Professora Facamp
Marcus Ianoni Ciência Política UFF
Adriana Nunes Ferreira - Professora do IE/Unicamp
Francisco Luiz C. Lopreato - Professor IE/Unicamp
José Eduardo Roselino – Professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)
Guilherme Mello – Professor IE/Unicamp
Marco Antonio Martins da Rocha – IE/Unicamp
Alexandre de Freitas Barbosa - Professor de História Econômica e Economia Brasileira - Instituto de Estudos Brasileiros - Universidade de São Paulo (IEB/USP)
Luiz Fernando de Paula - Professor titular da FCE/UERJ
Lauro Mattei - Professor de Economia da UFSC
Elza Cotrim Soares – Professora Titular – Faculdade de Ciências Médicas - UNICAMP
Fernando Sarti - Professor do Instituto de Economia da UNICAMP
Jorge Felix - Professor PUC-SP
Julia de Medeiros Braga - Professora UFF
Rosangela Ballini – Professora IE - Unicamp
Maria Fernanda Cardoso de Melo - Professora da Facamp
André Biancarelli – Professor do IE/Unicamp
Raquel Rangel de Meireles Guimarães – Professora da UFPR
Cláudia Tessari - Professora, Universidade Federal de São Paulo
Ricardo de Medeiros Carneiro – Professor IE/Unicamp
Antonio José de Almeida Meirelles - Professor Titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos/UNICAMP
Pedro Rossi – Economista e Professor - UNICAMP
Fernando Augusto Mansor de Mattos – Professor UFF
Flávia Vinhaes - Professora de Economia - UCAM e técnica IBGE
Ceci Juruá – Economista
Walter Belik - Professor IE / Unicamp
Pedro Vieira - Professor do Programa de Pós-Graduação em Rel Internacionais-UFSC
Nádia Farage - Professora colaboradora DH-IFCH, Unicamp.
Carlos Pinkusfeld Bastos – Professor IE – UFRJ
Waldir Quadros – Professor IE/Unicamp
Simone Deos - Professora, IE-Unicamp
Fábio Eduardo Iaderozza - Professor de Economia da Facamp e do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (CEA)
Rodrigo Vianna - Jornalista e historiador (USP)
Ana Luíza Matos de Oliveira – Doutoranda IE/Unicamp
Adriana Aparecida Quartarolla - Doutoranda em Linguística na UNICAMP e professora de Língua Portuguesa na FACAMP
Marcelo Manzano – Professor FACAMP
Lygia Sabbag Fares Gibb – Professora universitária e doutoranda IE/Unicamp
Beatriz Freire Bertasso – Professora Facamp
Darci Frigo, advogado - Terra de Direitos
Artur Scavone – Jornalista
Benedito Ferraro - PUC-Campinas
Sávio Machado Cavalcante – Professor de Sociologia (IFCH/Unicamp)
Juliana Pinto de Moura Cajueiro – Facamp
Roberta Gurgel Azzi – professora
Miguel Henrique Russo - professor
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O NORDESTE ESTÁ COM LULA


Esse é o balanço da viagem do ex-presidente, que caiu nos braços do povo, depois de ser denunciado pelo Ministério Público e ter a denúncia aceita pelo juiz Sergio Moro; em algumas cidades do Ceará, Lula foi praticamente agarrado pela população como se fosse Padre Cícero; num dos cartazes, um manifestante dizia: "Lula, seu maior escudo é o povo"; por mais que as oligarquias políticas sonhem com a sua exclusão do processo sucessório em 2018, uma questão ficará pendente: o que dizer a tantos brasileiros que o consideram o melhor presidente da história?




Lula está morto e acabado? Será preso? Será condenado e excluído da disputa presidencial de 2018? Muitas dessas questões têm sido colocadas desde que ele teve sua denúncia aceita pelo juiz Sergio Moro, que poderá fechar a Lava Jato com a condenação àquele que o Ministério Público considera "o chefe do esquema".

No entanto, a uma denúncia que Lula considera de natureza política, e não técnica, ele deu uma resposta também política. Caiu nos braços do povo e foi tratado com idolatria, como uma espécie de Padre Cícero, agarrado e cultuado pela população.



Por mais que as oligarquias políticas sonhem com a sua exclusão do processo sucessório em 2018, uma questão ficará pendente: o que dizer a tantos brasileiros que o consideram o melhor presidente da história?

Leia, abaixo, balanço da assessoria do ex-presidente Lula:

Lula encerrou nesta sexta-feira (23) mais uma visita ao Nordeste. Participou de atividades de campanha eleitoral em sete cidades – BarbalhaCratoIguatu,FortalezaNatalRecife e Ipojuca -, em três estados – Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Deu duas entrevistas para emissoras de rádio, tirou milhares de fotos, conversou com dezenas de candidatos a vereador, autoridades, militantes e populares.

Em todos os lugares denunciou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e a ilegitimidade do governo Temer. Defendeu-se da verdadeira caçada judicial e midíatica que vem sofrendo. Apontou os desmandos da Operação Lava Jato, em especial a violência da ação policial contra o ex-ministro Guido Mantega e sua esposa. Fez campanha aberta para os candidatos a prefeito e a vereador do PT e de outros partidos, quando arrastou dezenas de milhares de pessoas para comícios e passeatas.


Mas, principalmente, provou, mais uma vez, do carinho e da emoção que lhe dedicam os nordestinos. Em todos os lugares por onde passou, Lula foi alvo de manifestações de apoio, de solidariedade e de gratidão pelo que fez no Nordeste em seus oito anos de governo.

Evidentemente, nada disso apareceu na grande imprensa. Mas as imagens correram diariamente na internet através de transmissões ao vivo via Facebook - tiveram milhões de pessoas alcançadas e centenas de milhares de visualizações  e das dezenas de fotografias distribuídas na rede.

Tudo isso na semana em que Lula era alvo de mais um ataque da Operação Lava Jato e a dias das eleições municipais. Mas também ao mesmo tempo em que sindicalistas de todo o mundo lançavam a campanha#EstamosComLula.

A força do alcance que a campanha pode obter acaba de ser demonstrada pelos nordestinos. “Lula, seu maior escudo é o povo”, estava escrito em um cartaz levantado por um popular no comício de Barbalha, Ceará. Para quem não cessa de declarar que Lula está acabado, uma imagem fala mais que mil palavras.
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Brasileiros pagam o preço do golpe: 1,65 milhões de demitidos


Desde que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas eleições presidenciais de 2014, e o ex-deputado Eduardo Cunha se aliaram para sabotar a presidente Dilma Rousseff no Congresso e criar as condições para o impeachment, apostando no "quanto pior, melhor", as empresas brasileiras só demitiram; dados do Caged, divulgados nesta sexta-feira, revelam que já são 17 meses seguidos de demissões, que levaram 1,65 milhão de brasileiros ao desemprego; Michel Temer e Henrique Meirelles, que já estão no poder desde 13 de maio, ou seja, há mais de quatro meses, não foram capazes de resgatar a confiança e já não podem mais falar em "herança maldita"; conta do golpe será paga pelas próximas gerações




Nunca é demais recordar: em agosto de 2014, a economia brasileira vivia uma situação de "pleno emprego". A taxa de desemprego, segundo o IBGE, era de apenas 5% – a menor de toda a série histórica com os critérios atuais, iniciada em 2002 (relembre aqui).


O ministro da Fazenda era Guido Mantega, preso e solto nesta semana, na mais polêmica etapa da Operação Lava Jato. Acusado frequentemente de "quebrar a economia brasileira", Mantega foi o ministro que entregou as maiores taxas de crescimento da história recente do País (no governo Lula) e os menores níveis de desemprego (no governo Dilma).

Poucos meses depois daquele agosto fantástico, logo depois de ser reeleita para o segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff reconheceu que o novo quadro internacional, com a queda das commodities e o esgotamento das medidas de estímulo, exigia um ajuste fiscal. Decidiu trocar Mantega por Joaquim Levy, que planejava colocar em marcha um rápido plano de controle orçamentário, que previa a volta da CPMF e o reequilíbrio das contas públicas.

Tudo parecia certo, mas não havia pintado ainda no horizonte a aliança entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas eleições presidenciais de 2014, e o hoje cassado deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Juntos, ambos fizeram com que a agenda do País passasse a ser dominada pelo tema do impeachment, contando com o auxílio luxuoso dos meios de comunicação conservadores.

Se isso não bastasse, colocaram em pauta no Congresso as "pautas-bomba", que arrombavam as contas públicas e impediam qualquer iniciativa de ajuste. Era a tática do "quanto pior, melhor", defendida publicamente por alguns tucanos, como Alberto Goldman, como estratégia para se conseguir o impeachment (saiba mais aqui).

O resultado foi a deterioração progressiva da economia brasileira, que criou as condições para o crescimento dos protestos de rua. Além disso, o avanço da Operação Lava Jato prejudicava setores inteiros da economia, como a construção pesada e a indústria naval, aumentando a massa de desempregados.

O resto da história é conhecido. Dilma foi afastada, o PMDB está no poder e o PSDB, que apostou no 'quanto pior, melhor', hoje posa de bom moço, cobrando de Michel Temer cortes de gastos e reformas estruturais na economia. A Petrobras vende ativos a toque de caixa, em processos com pouca transparência, no que vem sendo definido pelos petroleiros como um crime de lesa-pátria (leia mais aqui).


17 meses de demissões

Quem ganhou com isso? Os brasileiros, certamente, não. Com os dados do Caged divulgados nesta sexta-feira, soube-se que a confiança prometida por Temer e Meirelles não voltou. Ao contrário, as empresas continuam demitindo, ainda que num ritmo menor, e agosto foi o décimo-sétimo mês seguido de demissões. Em um ano, a crise brasileira produziu 1,65 milhão de desempregados a mais (saiba mais aqui).


Em Nova York, Temer e sua equipe tentaram vender otimismo a investidores. Meirelles disse que, a partir de agora, o preço das concessões será dado pelo mercado – como se as concessões do governo Dilma tivessem sido um fracasso. O problema é que a história desmente essa versão. Basta notar as transformações recentes dos aeroportos de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Campinas.

Quem hoje de fora olha para o Brasil enxerga uma economia arruinada, um Poder Judiciário hipertrofiado, empresários amedrontados, e alguns sendo obrigados a depositar fianças bilionárias para, simplesmente, ter o direito de entrar nas próprias empresas. Por mais que se venda "segurança jurídica", os donos do capital não são idiotas.

O resultado final é uma economia em círculo vicioso: menos emprego, menos renda, menos consumo, menos investimento, menos arrecadação e contas públicas – o pretexto para o golpe – ainda mais arrombadas. Não por acaso, a única realização obtida até agora pela equipe econômica foi a ampliação do déficit em mais de R$ 100 bilhões.

Valeu a pena destruir o Brasil para retirar o PT do poder? Os que hoje estão no poder e os que tentam contar uma história oficial a partir dos meios de comunicação associados ao golpe dirão que sim. Mas a conta ficou pesada demais e será paga pelas próximas gerações. Por muitos e muitos anos.
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É hora de mudar o jogo

quinta-feira, 22 de setembro de 2016



Hoje é um bom dia para se olhar de frente para um fato tão grave e monstruoso, muitas pessoas não conseguem sequer encará-lo.

Estou falando sobre a possibilidade de Lula ser condenado pelo juiz Sérgio Moro e levado a cumprir pena de prisão depois de uma derrota mais do que previsível na segunda instância.
Contrariando uma visão bastante comum nos dias de hoje, acredito que esta é uma hipótese muito mais real do que a maioria das pessoas consegue imaginar.

E é bom pensar sobre isso num dia em que, no país inteiro, os trabalhadores saem à rua para defender direitos que, de uma forma ou outra, Lula ajudou a ampliar e consolidar. Para quem compreende o risco de uma iniciativa representa para a democracia brasileira, é bom entender o papel essencial das mobilizações num confronto tão crucial para os destinos do país. 

Vivemos uma época na qual cidadãos maiores de idade perderam o direito de cultivar ilusões generosas e reproduzir argumentos infantis. Sabe a conversa de “golpe nunca mais” ou “Podemos ter governos de direita ou de esquerda, mas a democracia sempre será preservada”?

A história também pode andar para trás, como se vê.

Depois das sentenças fortes para provas fracas da AP 470, das prisões preventivas e delações premiadas da Lava Jato, do silencio obsequioso do Supremo Tribunal Federal diante de um impeachment sem crime de responsabilidade, estamos sendo reconduzidos de volta a realidade de um país onde 1% de cima dominam 99% sem admitir contestações leves – como foram os 13 anos e meio de Lula-Dilma no Planalto.     

A grande ilusão consiste em acreditar que o papel histórico de Lula, origem de um reconhecimento popular único e mesmo do aplauso internacional, pode funcionar como salvo conduto contra abusos e medidas de exceção, reservadas aos mortais comuns. É como se o apreço popular servisse de couraça protetora, uma segunda pele, paralisando a máquina de abusos que funciona a partir de Curitiba. Sua prisão seria impensável, portanto.

Nesta visão, a liberdade de Lula, a preservação de seus direitos, estaria assegurada por antecedência.   
Sinto muito. A lógica aqui é outra. Não tem a ver com reconhecimento popular nem direitos democráticos, mas relação de forças, lavagem cerebral e interesse político. Não por acaso, o mesmo sistema que alimentou a retorica do impeachment sem provas contra Dilma agora se volta para o ataque final a Lula. Batalhas da mesma guerra.

Quem denuncia com base em convicção não quer produzir Justiça. Quer punir. Quem aceita uma denúncia dessa natureza segue o mesmo caminho, mesmo que faça ressalvas formais.  

Estamos falando do governo pelo medo, da ameaça, típico de ditaduras, que precisa criar cidadãos submetidos e enganados, indispensáveis nas derrotas da democracia.

Diante da dificuldade extrema de provar que Lula é o
verdadeiro proprietário do tríplex do Guarujá, Moro não recusou a denuncia. Seguiu na trilha e lançou um argumento novo para justificar a acusação contra  Lula.


Escreveu que os trâmites finais da trama, que poderiam finalmente provar que ele seria o verdadeiro dono do imóvel, talvez não tenham sido executados em função de um problema de calendário. O presidente da OAS, Leo Batista, que iria efetivar a transação, acabou preso – pela própria Lava Jato – antes da transferência da propriedade ser consumada. Assim, uma pura hipótese, um exercício de raciocínio, ajuda na tentativa de enquadrar e condenar Lula. 

Mesmo que a hipótese imaginária seja verdadeira, o que ainda está por ser demonstrado, resta o fato essencial: a vantagem ilícita não se consumou. Supondo que todos os lances anteriores do enredo anunciado sejam verdadeiros, o que também não está demonstrado,  principal está aqui: o apartamento não mudou de dono. Lula nunca recebeu as chaves. Nunca passou uma noite no local. 

Como nos filmes B de Hollywood, o ladrão foi preso antes do assalto, na porta do banco. Cadê o saco de dinheiro, a prova do crime? Não importa. Lula é réu e será julgado por corrupção e lavagem de dinheiro. Como a mídia grande fará seu papel, o cirquinho está garantido.

A tentativa de criminalizar Lula – e Paulo Okamoto, presidente do Instituto que leva o nome do ex-presidente -- pelos milhões gastos pela OAS com a guarda do acervo presidencial é ainda mais problemática. É difícil encontrar alguma irregularidade – quanto mais um crime – neste caso.

A prática de obter patrocínio para a proteção dos volumosos arquivos de quem passou pela presidência da República não foi uma invenção de Lula mas se justifica com base na lei 8394, de 1991, elaborada no governo Fernando Collor. Ali se diz que os bens do “acervo presidencial privado são na sua origem, de propriedade do Presidente da República, inclusive para fins de herança, doação ou venda”. 

A mesma lei define que, embora se trate de patrimônio pessoal, sua natureza é pública, impondo um “conjunto de medidas e providências a serem levadas a efeito por entidades públicas e privadas, coordenadas entre si, para a preservação, conservação e acesso aos acervos documentais privados dos presidentes da República”.

Em agosto de 2002, quando se preparava para deixar o Planalto, Fernando Henrique fez um decreto para regulamentar a lei de 1991. Ali se diz, no artigo 3, que “os acervos documentais privados dos presidentes da República são os conjuntos de documentos, em qualquer suporte, de natureza arquivística, bibliográfica e museológica, produzidos sob as formas textual (manuscrita, datilografada ou impressa), eletromagnética, fotográfica, filmográfica, videográfica, cartográfica, sonora, iconográfica, de livros e periódicos, de obras de arte e de objetos tridimensionais”. 

Com base em seu próprio decreto, Fernando Henrique reuniu o acervo no IFHC, com patrocínio da IBM, ainda um gigante mundial de informática, e outras empresas privadas. Não havia nada de errado na decisão tomada. O apoio de “entidades públicas e privadas” está previsto explicitamente na lei 8394.

É tão cristalino que a maioria dos interessados entrou no patrocínio ao IFHC através da lei Rouanet, o que permite uma observação curiosa. Além de assegurar um gesto de agrado a memória de FHC, o acerto permitiu aos patrocinadores do IFHC jogarem a conta para o contribuinte. Gozado, não?

Num editorial, o Estado de S. Paulo investiu contra o auxílio da OAS ao acervo de Lula. Numa linha maliciosa, lamentou que “Okamoto não esclareceu a contrapartida para tanta generosidade”. Poderia ter feito a mesma cobrança de FHC, não é mesmo? O problema é que isso iria atrapalhar o circo e mostrar que neste espetáculo, o grande palhaço está na plateia.

Quando se considera a identificação particular, quase íntima, que a maioria dos brasileiros construiu na relação com Lula, em função de uma vitória de baixo para cima, o que se programa é uma derrota pelo alto, uma revanche cruel e miserável.

Vencedores com Lula, serão derrotados através dele, ainda que se tente esconder este fato, por todos os meios ao alcance dos interessados. Quando os brasileiros se derem conta, será tarde: o país do 1% humilhou 99% mais uma vez.

Mesmo sendo a conclusão lógica do processo, a prisão de Lula não é uma fatalidade. Irá depender da capacidade da população reagir.

Este é o movimento que tem força para colocar as peças da democracia em seu devido lugar. A coragem daqueles que -- contrariando uma frase famosa -- já tem o que perder além dos próprios grilhões faz nascer a vergonha dos acomodados que se omitem.

Também questiona o conforto dos bem situados que fingem que nada tem a ver com o futuro da maioria dos brasileiros, daqueles que mostram caninos afiados depois de exibir tantos sorrisos doces na hora em que pediam favores a um grande homem, hoje caçado como um animal. 
Esta é a opção.
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Lula sugere que Lava Jato passe a se chamar Operação Boca de Urna


Ex-ministro Guido Mantega é algemado pelo agente federal

Muito da pressão que levou o juiz Sergio Moro, titular da Justiça Federal, no Paraná e comandante da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), a liberar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega deveu-se à reação dos principais líderes de esquerda e centro-esquerda, parlamentares de diversos partidos, nas redes sociais.

Pouco antes de Mantega ser liberado, em entrevista à Rádio Povo do Ceará, na manhã desta quinta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a prisão do ex-ministro, na 34ª fase da Lava Jato. Mantega acompanhava a mulher em uma cirurgia, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

— Parece até que se chama Operação Boca de Urna. Está chegando perto das eleições, eles vêm para cima do PT – comentou Lula.
O ex-presidente denunciou a perseguição contra o partido, como fez o presidente da legenda, Rui Falcão.

— As pessoas poderiam tratar o Guido como ele deveria ser tratado — acrescentou Lula.

Estado de direito

Conforme comentou a economista e correspondente do Correio do Brasil, em Paris: “Prenderam o Mantega no leito de hospital, o Estado fascista chamou uma coletiva pra denunciar o Lula. Denúncia que, todos sabem, não tem prova.

Somente convicção que eles querem prender Lula e sua família. Como sabem também que o povo vai às ruas e não votará em golpistas. O Michel ‘Fora Temer’, aliado de Cunha e Moro, segue destruindo o Estado de direito”.

Para a deputada Maria do Rosário, o quadro que se apresenta é mais grave. Com a presença de apenas quatro deputados na Câmara, segundo registro da Mesa Diretora da Casa, os parlamentares recorreram às redes sociais para comentar a prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega na manhã desta quinta-feira.
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“Mantega foi preso no hospital, onde esperava esposa sair de cirurgia. Deixou o filho ali sozinho. Que risco oferece? Espetáculo deplorável. A prisão de Mantega no hospital é uma arbitrariedade. O estado coagindo, e não investigando”, disse Maria do Rosário em sua página no Twitter.

O deputado Paulo Pimenta  também mostrou-se indignado em postagem na mesma rede social. “Prender alguém no hospital, no momento [em] que acompanha a cirurgia da esposa com câncer, é covardia. Não oferece risco, não tinha necessidade”, afirmou Pimenta.

Também ex-ministro [do Esporte] dos governos Lula e Dilma, o deputado Orlando Silva disse que não há motivos para que a prisão tenha sido feita da maneira como ocorreu. “O ex-ministro do Fazenda Guido Mantega tem endereço conhecido. Acionado, já colaborou com a Justiça. Prender no hospital parece abuso. Para quem o conhece, é chocante!”, afirmou.

Para o deputado Afonso Florence, existe perseguição política e não há prova. Segundo Florence, o partido questiona fundamentos e condições em que a prisão ocorreu. “É mais um episódio de ação contra petistas e a espetacularização da ação da polícia.”

CORREIO DO BRASIL



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Prender Mantega no hospital, quando ele velava a mulher submetida a uma cirurgia de câncer, ultrapassa todos os limites da decência



Prender Mantega no hospital, quando ele velava a mulher submetida a uma cirurgia, ultrapassa todos os limites da decência.

Que a Lava Jato é fundamentalmente injusta sabemos.
Que ele é um arma da plutocracia para destruir o PT e Lula sabemos.
Que ela faz uma parceria indecente com a mídia, sobretudo, a Globo, sabemos.
Que ela ajuda o Brasil a ser uma República das Bananas, sabemos.

Mas que ela é canalha, miseravelmente canalha, desumanamente canalha tivemos a prova nesta manhã de quinta no curso da Operação Arquivo X.

O nome, aliás, não poderia ser mais apropriado. Depois do power point que parecia feito por alienígenas sob o comando de Dallagnol, tinha mesmo que vir a Operação Arquivo X.

Prender Mantega no hospital, quando ele velava a mulher submetida a uma cirurgia, ultrapassa todos os limites da decência.

É coisa que a gente não consegue imaginar nem em ação policial nazista. Ou, para ficarmos no tema presente, nem nos tribunais alienígenas.

Descemos novos degraus no índice da civilização. Pense como a opinião pública britânica reagiria se tamanha brutalidade ocorresse lá. Todo o comando policial ligado a ela seria expelido devido à pressão da sociedade. Orwell cunhou a expressão “decência básica” para evitar tais monstruosidade.

Nem na Revolução dos Animais Orwell concebeu uma baixeza de tal magnitude.

Mantega é um homem lhano, acusado de coisas que só no Planeta Lava Jato são cabíveis. Um dia, espero que não tão longe, saberemos quantas mentiras estavam e estão associadas às acusações da Lava Jato.

Tão repulsiva quanto a ação em si para prendê-lo foi ver a reação de débeis mentais manipulados pela mídia plutocrata.

Aplausos dementes, palmas ensandecidas: nem um miserável sinal de humanidade.
Eis no que a plutocracia nos transformou: num país selvagem, desprezível, oprimido por um grupo de poderosos que trata os brasileiros como gado.
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A MONSTRUOSIDADE QUE ENVOLVE O BRASIL



O sadismo e a onipotência ajudam a explicar o fato de os agentes da PF irem até o hospital Albert Einstein, em São Paulo, para prender Guido Mantega na 34ª fase da Lava Jato.

O ex-ministro acompanha a mulher que se trata de câncer. A intenção era capturá-lo em casa, no bairro de Pinheiros. Lá só estava o filho dele, de 16 anos, e uma empregada. É de se imaginar o horror do qual esse rapaz jamais escapará: acordado por policiais no encalço do pai num momento já terrível.

Isso não é justiça. Isso é outra coisa. O procurador de barbicha que sempre aparece na TV disse na coletiva que, infelizmente, “coincidências como essas vão acontecer”.

Mais uma vez, é tudo em nome do show. Por que Mantega não foi convocado para se apresentar? Que risco oferecia de fugir? Nenhum. A própria polícia admite que ele nunca se recusou em colaborar quando requisitado.

É para causar impacto, também visando influir nas eleições municipais. Eike Batista, envolvido na operação, delator de Mantega, está livre e continuará livre.

O mal é um mistério. Em seu despacho acatando a denúncia contra Lula, Sérgio Moro dedicou algumas palavras a Marisa Letícia, que teria contribuído para “a aparente ocultação do real proprietário do apartamento” do Edifício Solaris, no Guarujá.

“Lamenta o Juízo em especial a imputação realizada contra Marisa Letícia Lula da Silva, esposa do ex-Presidente. Muito embora haja dúvidas relevantes quanto ao seu envolvimento doloso, especificamente se sabia que os benefícios decorriam de acertos de propina no esquema criminoso da Petrobras, a sua participação específica nos fatos e a sua contribuição para a aparente ocultação do real proprietário do apartamento é suficiente por ora para justificar o recebimento da denúncia também contra ela e sem prejuízo de melhor reflexão no decorrer do processo.”

Diante da perseguição e da covardia escancaradas e crescentes, essa lamentação ganha uma falsidade épica e se transforma num bullying. Ele mesmo diz que há “dúvidas relevantes” quanto ao envolvimento doloso de Marisa. O que aconteceu com o conceito de “in dubio, pro reu”?

Em agosto, Moro devolveu a Cláudia Cruz seu passaporte, ignorando o parecer do Ministério Público Federal, que alertava para o “risco concreto” da esposa de Cunha e/ou familiares promoverem “eventual fuga e utilização de ativos secretos ainda não bloqueados”.

Cláudia e Cunha jantam diariamente nos melhores restaurantes do Rio de Janeiro e de Brasília.

Sérgio Moro foi alimentado pelas mãos que agora estão vendo que têm de lidar com o que criaram. Mesmo na GloboNews, onde ele é tratado como Jesus Cristo, estava sendo criticado. Agora é tarde e vai ser mais difícil terminar o que começou mal.

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